Por João Guilherme Brotto
Responda rápido: qual é sua filosofia de investimento? Se soube responder, ponto para você. Mas, caso tenha ficado procurando uma resposta, não se desespere, pois a maioria dos investidores está na mesma situação. Alguns até acreditam que seguem uma filosofia, mas basta uma notícia pessimista ou o surgimento de algum fato inesperado para que essa filosofia seja esquecida. No entanto, seguir uma estratégia é fundamental para alcançar os objetivos estipulados. Um investidor sem uma estratégia clara vira presa fácil do mercado, fica sujeito a seguir conselhos de terceiros nem sempre confiáveis, deixa de realizar ganhos por não ser fiel a uma estratégia, gasta com corretagens desnecessárias um dinheiro que poderia estar rendendo em uma boa aplicação e perde o sono com medo do que poderá acontecer no dia seguinte
Aqui, nossa intenção não é apresentar fórmulas mágicas com resultados 100% garantidos, mas sim fornecer uma visão sobre estratégias sérias que fizeram a fortuna de grandes investidores. Há décadas que o investimento em valor e em crescimento provam que dão resultado. Tanto que, enquanto um foi e é a base que norteia os investimentos de Warren Buffett, o outro contribuiu para tornar um pequeno fundo de investimentos o maior do mundo nas mãos do gestor de recursos Peter Lynch.
A escolha da filosofia que irá seguir dependerá de seu perfil e objetivos como investidor. “Para fazer uma escolha você precisa olhar para dentro antes de olhar para fora. A melhor estratégia é aquela que se adapta a sua personalidade no que diz respeito às suas necessidades. Os investidores que optarem pelas filosofias de investimento que não se coadunam com suas características pessoais, mais cedo ou mais tarde, vão acabar abandonando-as, não apenas pelo fato de que elas não funcionam para eles, mas também devido a sua insatisfação com a inconsistência de suas carteiras”, explica Aswath Damodaran no livro Filosofias de investimento – Estratégias bem-sucedidas e os investidores que as fizeram funcionar.
O investimento em valor – Value investing
Sabe aquelas promoções imperdíveis anunciadas pelos supermercados e redes de varejo? Às vezes, você está precisando do tal produto anunciado e ele está sendo vendido a condições imperdíveis. Você não perderia a oportunidade de comprá-lo, certo? Essa mesma lógica sintetiza o que o investimento em valor busca – comprar ações quando estão em promoção, ou seja, subavaliadas pelo mercado. Essa estratégia foi a que Warren Buffett aprendeu com seu professor, o guru Benjamin Graham, na Columbia University. Buffett aperfeiçoou a teoria do mestre e o efeito disso você já conhece. Alguma dúvida de que ela pode dar resultado?
O megainvestidor sempre defendeu a ideia de que as melhores empresas para se investir são aquelas que comercializam produtos/serviços simples e fáceis de entender. É muito mais prático você encontrar barganhas procurando em lugares que já conhece do que tentar entender negócios complicados que aparentam esconder boas oportunidades.
No livro Investimento em valor – Como lucrar com ações “em promoção” e fugir das falsas barganhas, Christopher H. Browne explicita essa questão: “Gosto de procurar negócios que eu possa entender e para os quais exista necessidade, um bom exemplo são os negócios com bancos. Desde que o homem deixou de ser um nômade, ele precisou de um banco. Talvez, os bancos sejam o setor mais antigo da economia e, até agora, ninguém inventou nada melhor.
Eu também gosto de alimentos, bebidas e gêneros de necessidades básicas que consumimos diariamente. Se você tem uma cerveja favorita, provavelmente, compra a mesma marca em 90% das vezes da mesma forma que faz com todos os outros produtos. Somos criaturas que adquirimos hábitos e costumamos repetir nossas preferências quando saímos para fazer compras”. Ainda na obra, Browne sugere que você compre ações da mesma maneira com que compra carne – em promoção. A lógica do investimento em valor é tão simples quanto os exemplos de Browne e a leitura desse livro é um excelente ponto de partida para aprofundar os conhecimentos na área.
O investimento em crescimento – Growth investing
Podemos definir as ações de crescimento como pedras preciosas a serem descobertas. O investidor em crescimento está sempre buscando ações que ainda não foram percebidas pelo mercado, mas que têm alto potencial de crescimento. Geralmente, são os papéis de segunda linha, aqueles que não fazem parte do índice nem estão presentes nos noticiários com frequência.
Apesar dessa distorção entre uma filosofia e outra, tanto o valor como o crescimento buscam um mesmo objetivo: encontrar boas empresas a preços baixos. A diferença está justamente onde cada uma procura essas companhias. Enquanto os value investors buscam a segurança e solidez das blue chips, os growth investors focam suas forças no futuro e crescimento das small caps.
O maior investidor em crescimento da história é, provavelmente, Peter Lynch. Muitos consideram-no o Warren Buffett do investimento em crescimento. Ele foi responsável por administrar, a partir de 1977, o então pequeno fundo de investimentos Fidelity Magellan Fund. Nos 14 anos que esteve à frente do fundo, Lynch transformou um patrimônio de US$18 milhões em US$15 bilhões e fez do Fidelity o maior fundo monetário do mundo. Segundo Damodaran, a brilhante administração de Lynch “ajudou a derrubar a ideia preconceituosa de que os investidores em crescimento eram otimistas incuráveis que compravam ações com base em promessas”. Em um artigo publicado na revista Worth, em 1996, Lynch apresentou seu sistema para detectar boas empresas. São 11 dicas que merecem ser consideradas.
1. Preste atenção a fatos, e não a projeções.
2. Antes de investir em uma empresa, analise seu balanço anual para ver se ela é financeiramente saudável.
3. Não compre opções nem invista na margem. Com opções, o tempo trabalha contra você e se estiver na margem, uma queda no mercado pode acabar com você.
4. Quando vários detentores de informações privilegiadas estão comprando ações de uma empresa ao mesmo tempo, isso é um bom sinal.
5. Um investidor médio pode monitorar de cinco a dez companhias por vez, mas isso não quer dizer que irá comprar qualquer uma delas.
6. Seja paciente. Após termos comprado, algumas ações demoram de três a quatro anos para apresentar bons resultados, outras podem levar até dez anos.
7. Entre cedo, mas não muito. Pense no investimento em empresas de crescimento como se fosse uma partida de futebol. Tente entrar no jogo logo após o intervalo, porque o time já terá se provado a essa altura. Se você comprar antes de saber a escalação, estará assumindo um risco desnecessário, caso compre no fim do jogo, poderá ser tarde demais.
8. Não compre ações “baratas” porque apenas são baratas. Compre-as porque seus fundamentos estão melhorando.
9. Adquira pequenas empresas após mostrarem que podem ser rentáveis.
10. Os tiros no escuro frequentemente saem pela culatra ou “não saem”.
11. Investigue dez companhias e é provável que encontre uma com perspectivas brilhantes não refletidas em seu preço.
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