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Sexta-feira, 12 de Março de 2010
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17/02 18:06 | Enviado por João Guilherme Brotto

TUDO SOBRE: Lucre com as finanças comportamentais

Reportagem publicada na revista InvestMais - edição de dezembro de 2008.

Visite o site: www.revistainvestmais.com.br

Durante muito tempo a economia foi vista como uma ciência racional. No entanto, fatos como a bolha da internet abriram a discussão: será que o chamado homo economicus, que surgiu no século XIX como sendo uma evolução do homo sapiens e que de acordo com as teorias neoclássicas da economia é a real representação da racionalidade, existe?

Ao longo do século XX, inúmeros teóricos discutiram a veracidade dessa suposta continuação da teoria da evolução de Charles Darwin. Para os autores Alan J. MacFadyen e Heather W. MacFadyen existe uma ambigüidade por trás da definição do homem econômico. Em uma compilação de trabalhos sobre a teoria e aplicações da Psicologia Econômica, publicado em 1986, eles defendem a idéia de que “de um lado, temos o homem econômico racional, que se defronta com um conjunto de preferências estável, consistente e bem ordenado, o qual lhe permite, com a disponibilidade de informação completa, prever todos os possíveis estados do mundo e, assim, selecionar o curso da ação que lhe dê o mais alto sentimento de felicidade. De outro, temos os humanos reais, que, ao contrário, têm preferências mutáveis, inconsistentes e muitas vezes inconscientes e irracionais”. Tal visão nos permite afirmar que o tal homem econômico está longe de ser uma realidade.

E sobre isso, a psicanalista doutora em psicologia econômica, Vera Rita de Mello Ferreira, não deixa dúvidas: “O homem econômico nunca existiu. Ele é um modelo muito simplificado que está bastante distante da realidade. Tanto a psicologia econômica quanto a economia comportamental já alertavam, lá atrás, que as teorias econômicas tradicionais como essa do modelo do homem econômico não funcionam, porque as pessoas fazem escolhas inteiramente inconsistentes. Tomando como exemplo a questão da perda e do ganho, para um economista, cinqüenta reais são cinqüenta reais, mas quando um investidor perde essa quantia sente que o valor é muito maior do que quando ganha”. E se você ainda acredita que a maneira como investe está imune ao efeito de suas emoções, continue a ler e aprenda mais sobre as finanças comportamentais.

O que são Finanças Comportamentais?

A crise está deixando o mercado ensandecido e dificultando o trabalho dos analistas. Virou rotina ouvirmos deles que as previsões, hoje, precisam ser feitas por psicólogos e psicanalistas e não por economistas. E aí que as finanças comportamentais se encaixam. Elas estudam de que forma a psicologia afeta as decisões de investimento, as empresas e o mercado. “As Finanças Comportamentais não negam que a maioria das decisões econômicas sejam tomadas de forma racional e deliberada. Mas consideram que, se não forem levadas em conta também as decisões emocionais e automáticas, os modelos econômicos serão falhos para explicar o funcionamento dos mercados”, explica o doutor em Finanças e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Jurandir Sell Macedo Jr.

O momento que estamos vivendo é perfeito para entender o porquê disso. Durante muito tempo os investidores brasileiros se acostumaram com os ganhos expressivos da renda variável. Mesmo sabendo que a bolsa oferece riscos, os últimos anos foram tão rentáveis que tudo o que se pensava sobre perder dinheiro ficou esquecido em algum lugar do cérebro do investidor. Agora, no ápice da crise, com os ativos subvalorizados e o futuro incerto, as pessoas voltam a lembrar que o risco existe, entram em desespero e se esquecem dos longos períodos de vacas gordas.

“Isso ocorre porque o nosso lado emocional é muito mais antigo do que o racional. Há milhões de anos, nossos circuitos emocionais nos prepararam para ter reações rápidas e impulsivas, fundamentais para uma sobrevivência imediata. Por exemplo, o homem primitivo via o mamute vindo na direção dele e saía correndo, não ficava parado para pensar sobre o que ia fazer. E assim ele sobreviveu. Quando ele conseguiu se desenvolver mais, conseguiu superar o medo do mamute para caçá-lo em grupo e conseguir a carne. Aí começou a raciocinar. Só que o lado racional do ser humano ainda é muito frágil. Então, a qualquer tempestade emocional, ele volta ao passado e age da maneira mais primitiva e rudimentar, que é quando funciona quase exclusivamente de acordo com as emoções”, explica doutora Rita Ferreira.

Em outras palavras, muitos investidores tomam suas decisões baseados em regras heurísticas. Um exemplo disso é quando um investidor compra uma ação por ter recebido uma recomendação de um amigo sem se preocupar em estudar sobre a empresa, mas mesmo assim acaba tendo um bom retorno. Pode ser que dali em diante ele tome como regra investir baseado em recomendações de amigos. Mas essa é uma atitude completamente irracional e o problema desse ou de qualquer outro exemplo de heurística é que o investidor se torna muito suscetível às perdas. Os atalhos mentais, como também são conhecidas as heurísticas, podem induzir o investidor a tomar decisões equivocadas.

Mas não se desespere, pois a heurística tem cura e quem dá receita a capaz de aliviar suas dores e perdas é a doutora Vera Rita:

· Reconheça que o lado emocional existe e que você jamais investirá sem ele

· Planeje antes de investir

· Converse com especialistas

· Estude o mercado

· Enxergue-se no longo prazo.

· Registre suas decisões e expectativas de investimento para, no futuro, voltar a elas e ver onde errou e onde acertou

No livro Previsivelmente Irracional, Dan Ariely utiliza experimentos para comprovar o quanto somos suscetíveis à nossa irracionalidade e o quanto isso afeta nossa vida e nossas decisões. Através de exemplos do cotidiano, o autor quebra os paradigmas racionais da economia tradicional e mostra que seguir os conceitos da economia comportamental é a receita para entendermos mais sobre nós mesmos e, conseqüentemente, para nos tornarmos investidores mais conscientes e, por que não, mais racionais.

Fazendo uso do ditado popular, é errando que se aprende. E é com um trecho do livro que encerramos, ou melhor damos um tempo na conversa sobre investimentos e irracionalidade. Afinal, com tudo o que anda acontecendo e deve acontecer no mercado, será difícil deixarmos de falar sobre o comportamento irracional do investidor. aditado popular, acionais.estidores mais conscientes e, por que nra comprovar o quantsas decis “Se todos cometermos erros sistematicamente nas decisões, então por que não elaborar novas estratégias, ferramentas e métodos para nos ajudar a tomar decisões melhores e melhorar nosso bem-estar geral? (…) Embora a irracionalidade seja lugar-comum, não significa obrigatoriamente que sejamos indefesos. Assim que entendemos quando e onde podemos tomar decisões errôneas, podemos tentar ser mais vigilantes e nos obrigar a pensar de outra maneira acerca dessas decisões”.

Dicas para lucrar com as finanças comportamentais

No livro A Lógica do Mercado – Como lucrar com finanças comportamentais, o doutor e professor de finanças da Washington State University, John R. Nofsinger aborda vários conceitos relacionados às finanças comportamentais. Confira algumas dicas extraídas do livro:

1- Saiba por que está investindo

Muitos investidores não traçam objetivos antes de entrar na bolsa e esse é um dos motivos que mais tarde fazem com que a pessoa se sinta pressionada e emocionalmente abalada em função de um mau momento do mercado. Nofsinger diz que é importante estabelecer metas específicas e maneiras de as alcançar. Tendo em mente sua razão para investir, a pessoa tem uma visão mais abrangente a longo prazo, sendo capaz de controlar e medir seu progresso, para determinar se seu comportamento é condizente ou não com suas metas.

2- Tenha critérios quantitativos de investimento

Para o autor, ter uma série de critérios quantitativos de investimento e relacioná-los por escrito permite que se evite investir levado por emoções, rumores, histórias e outros vieses psicológicos. Ele recomenda que antes de comprar uma ação deve-se comparar os critérios da empresa que está investindo com os seus próprios. Caso não aja uma sinergia, não invista.

3- Diversifique

Essa é uma das regras básicas do investidor que deseja diminuir o risco. Nofsinger recomenda o investimento em várias empresas diferentes, atuantes em setores diferentes. Além disso, reforça as vantagens dos fundos de renda fixa e títulos públicos. A diversificação é uma ótima estratégia para você que deseja ficar mais tranqüilo e indiferente à irracionalidade do mercado e, porque não, à sua própria.

4- Controle o ambiente de seus investimentos: Se você não quer comer, não existem motivos para abrir a geladeira: A mesma regra vale para quem deseja manter uma visão de longo prazo. A respeito disso, Nofsinger dá as dicas:

  • Verifique suas ações uma vez por mês: se agir assim, verificando suas ações uma vez por mês e não de hora em hora, estará inibindo reações comportamentais do tipo “picada de cobra”, “busca pela satisfação” ou apostar com o “dinheiro da banca”.

  • Faça suas transações somente uma vez por mês, sempre no mesmo dia: com isso, evitará a idéia errada de que rapidez é importante, já que ela só é importante para quem ouviu um boato sobre determinada ação e está correndo atrás para comprá-la antes que a bolha estoure. Além disso, fazer as transações apenas uma vez por mês ajuda a superar o excesso de confiança que atrapalha as negociações.

  • Analise seu portfólio anualmente, para ver se está consoante com seus objetivos específicos: será que cada um dos ativos de sua carteira contribui para o alcance dos objetivos de investimento e a manutenção da diversificação?

Para saber mais:

Livro: A Lógica do Mercado

Autor: John R. Nofsinger

Editora: Fundamento

Livro: Previsivelmente Irracional

Autor: Dan Ariely

Editora: Campus/Elsevier

Livro: Decisões Econômicas: Você já parou para pensar?

Autora: Vera Rita de Mello Ferreira

Editora: Saraiva

Livro: Psicologia Econômica – Estudo do comportamento econômico e da tomada de decisão

Autora: Vera Rita de Mello Ferreira

Editora: Campus/Elsevier

Colaboração: João Guilherme Brotto

Revista InvestMais

Muito bom!

Em momentos de tão alta volatilidade um investidor experiente ou não, deve fazer uso ao máximo da informação para melhor decidir, sobre seus investimentos, protegendo seu capital. A técnica comportamental tem contribuido muito para evitar perdas / prejuízos. Possibilita você melhor traçar uma estratégia , ao concluir mais facilmente uma tendência do mercado, quer seja de alta ou baixa . Não me disfazendo da técnica gráfica, mas sabemos que por ela só , não é suficiente
para tomadas certas de decisão, a técnica comportamental complementa muito. Particularmente, faço uso dos gráficos para verificar os suportes, as resistências eu mesmo as traço. Prefiro deixar de ganhar do que perder.
Parabens pela matéria, é uma pena que muitos
investidores não se prendam às leituras / interpretações / consequências dos fatos.
DinDinn.

Muito bacana a reportagem. Estudei economia e fiz meu trabalho de conclusão de curso sobre a Economia Comportamental (EC). Hoje sou um pesquisador da EC e um ivesntidor que leva em consideração os princípios dessa área. Fico muito feliz em saber que a EC está ganhando cada vez mais espaço, não só, entre os economistas, psicólogos e psicanalístas, mas conquistado todos que trbalham com finanças, especialmente, renda variável. Com certeza essa idéias são valiosas para realizar bons investimento.

Perdão pelos erros no post anterior (já tô meio grog). Mas quem quiser mais informações a respeito da Economia Comportamental vejam os links:

http://www.iarep.org/

http://veraritaferreira.blogspot.com/2009/07/sobre-supersticao-eclipses-e-prejuizos.html

Senhores,
não tem melhor técnica que a Comportamental para enfrentar a grande volatilidade do mercado dos últimos anos. Só comecei a lucrar realmente na bolsa há 4 / 5 anos atrás qdo comecei a ignorar os gráficos e discursos de economistas e técnicos de mercado. Não tem técnica melhor, dá um pouco de trabalho já que requer que vc fique atento/focado, principalmente, nos fatos da maior economia do Mundo, ainda E.U… Mas é altamente lucrativo / compensador. Foco os gráficos para focar os suportes qto ás resistências eu as faço. E nada de dar atenção às matérias de economistas / outros tendenciosos, lembrar que gráficos não interpretam fatos diários.
Parabens pela matéria…e grande sucesso p / vc
DinDinn

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