Por João Guilherme Brotto
As finanças comportamentais vêm tendo cada vez mais uma maior evidência entre os investidores, sendo consenso entre todos que desprezar o emocional na hora de investir é uma tarefa praticamente impossível. Diante desse cenário, só existe uma receita para minimizar as perdas decorrentes das armadilhas do cérebro: investir em conhecimento.
Na InvestMais, sempre procuramos trazer as melhores técnicas, conceitos e ferramentas para que você se torne um investidor independente e livre de vícios, como os que decorrem das questões emocionais. Por isso, trazemos um trecho sensacional do best-seller Investindo em ações no longo prazo: a bíblia do mercado de ações para o investidor de longo prazo. O livro, lançado no Brasil neste ano pela editora Campus/Elsevier, está em sua quarta edição e já vendeu mais de 200 mil exemplares nos EUA.
O autor, Jeremy Siegel, apresenta tudo o que o investidor precisa saber para investir e lucrar com ações a longo prazo, abordando desde a relação entre o ambiente econômico e as ações até conceitos de análise técnica, passando por mais 19 capítulos fundamentais a qualquer investidor de longo prazo.
No capítulo em que aborda as finanças comportamentais e a psicologia do investimento, Siegel simula um brilhante diálogo entre um consultor de investimentos e Dave, um investidor desesperado por ter perdido boa parte de seus rendimentos devido à sua teimosia em acreditar nas empresas tecnológicas no período da bolha da internet. Inconformada por ver três quartos de sua aposentadoria ser reduzida a pó, a esposa de Dave o obriga a se consultar com um especialista em finanças comportamentais. As lições são imperdíveis e, após ler essa “consulta”, você certamente vai rever suas crenças alimentadas por suas emoções, acompanhe:
“Consultor de investimentos – Primeiro, vamos discutir sua decisão de entrar nas ações da internet. Volte a outubro de 1999. Você lembra por que decidiu comprar essas ações?
Dave – Sim. Minhas ações não estavam indo a lugar algum e meus amigos de trabalho estavam investindo na internet e fazendo bastante dinheiro. Havia muita excitação sobre essas ações, todos afirmavam que a internet era uma revolução da comunicação que modificaria os negócios para sempre.
CI – Quando todo mundo está excitado com o mercado, você deve tomar muito cuidado. O preço das ações não se baseia apenas em valores econômicos, mas também em fatores psicológicos que influenciam o mercado. O economista da Yale University, Robert Shiller, um dos líderes do movimento das finanças comportamentais, enfatizou que as modas e as dinâmicas sociais têm uma função muito importante na determinação do preço das ações. Ele demonstrou que o preço das ações tem se mostrado muito volátil para ser explicado apenas por flutuações nos fatores econômicos, como dividendos e lucros. Shiller desenvolveu a hipótese de que muito da volatilidade adicional poderia ser explicado por modas e manias que têm grande impacto nas decisões dos investidores.
Dave – Eu até tinha minhas dúvidas sobre essas ações da internet, mas todos pareciam tão certos de que elas eram vencedoras. Se eu não comprasse, sentia que estava perdendo alguma coisa.
CI – Sei. A bolha da internet e a tecnologia são um exemplo perfeito das pressões sociais que influenciam os preços das ações. As conversas nos escritórios, as manchetes dos jornais, as previsões dos analistas, enfim, todos alimentaram a compra louca dessas ações. Os psicólogos chamam essa tendência de seguir a massa de instinto de rebanho (ou efeito manada) – a tendência que os indivíduos têm para adaptar seu pensamento à opinião prevalecente. A propensão dos investidores de seguir a multidão é um aspecto permanente da história financeira. Há muitas ocasiões em que as ‘massas’ estão certas, mas, normalmente, segui-las não é um bom caminho, por exemplo: quando uma companhia faz uma oferta por outra, muitas vezes aparecem outros pretendentes; quando uma IPO tem muita procura, outros investidores aparecem querendo comprar. As pessoas têm a sensação de que ‘alguém sabe de alguma coisa’, e elas não querem perder a chance. Algumas vezes, isso até está certo, entretanto, na maior parte das vezes, está errado.”
Trading excessivo, soberba e curva representativa
“CI – Dave, vamos mudar de assunto. Examinando os registros de suas operações, vejo que você era um trader muito ativo.
Dave – Eu tinha de ser. As informações novas chegavam toda hora. Então, sentia que precisava reposicionar meu portfolio constantemente para refletir as novas informações.
CI – É extraordinariamente difícil ser um trader de sucesso. Mesmo pessoas brilhantes que devotam toda sua energia ao trading de ações raramente obtêm retornos superiores. O problema é que a maioria delas tem excesso de confiança nas próprias habilidades. Em outras palavras, o indivíduo médio – não importa se é um estudante, trader, motorista ou qualquer outra coisa – acredita que é melhor do que a média, o que, é claro, se trata de algo estaticamente impossível.
Dave – O que causa essa confiança excessiva?
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