(publicado na revista InvestMais de fevereiro)
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Análise técnica x Análise fundamentalista
Conheça mais sobre as duas escolas de análise e veja qual mais se adequa ao seu perfil
Quais são os seus critérios para investir? Você se preocupa em acompanhar o cenário macroeconômico e os demonstrativos das empresas que lhe interessam? Ou se preocupa em encontrar padrões e tendências nos gráficos de seus ativos? A resposta para essas perguntas podem definir se você é um investidor fundamentalista ou gráfico.
Não se pode dizer que uma é melhor que a outra. Dependendo do seu perfil, uma delas se adequará melhor, mas uma coisa é certa: você não vai chegar a lugar nenhum se não procurar estudar uma das escolas para embasar suas decisões de investimento. E é por isso que trazemos nas próximas páginas a informação que você precisa para tirar suas dúvidas sobre as análises técnica e fundamentalista.
Análise fundamentalista
A premissa inicial da análise fundamentalista é de que o valor justo para uma empresa está relacionado à sua capacidade de gerar lucros no futuro. Para compreender isso, o investidor precisa estar atento a uma série de fatores da própria empresa, além de cenários micro e macroeconômicos, como indica o quadro abaixo, extraído do livro Aprenda a investir em ações e operar na bolsa via internet, do colunista da InvestMais, Carlos Brum.
Contexto macroeconômico
· Globalização da economia
· Taxas de juros interna
· Taxas de juros internacional
· Taxa de câmbio interna
· Contas públicas
· Balança comercial
· Situação política nacional
· Relação dólar/euro/yen
· Fluxo e refluxo de capitais internos e externos
Contexto microeconômico:
· Análises setoriais
· Qualidade da administração
· Profissionalização da gestão
· Questão sucessória
· Perspectivas futuras
· Competitividade internacional
· Potencial de mercado
· Atualização tecnológica
· Estrutura de financiamento
· Política de aplicação de recursos
O investidor que se pauta na análise fundamentalista acompanha o dia-a-dia do mercado e o noticiário e procura estar sempre informado sobre os acontecimentos e previsões de especialistas, como recomenda José Góes, economista da WinTrade. “O investidor deve estar atento ao cenário macroeconômico e aos fundamentos da empresa, devendo aplicar um montante de dinheiro que possibilite que ele tenha tranqüilidade para esperar que suas ações subam. A inserção de empresas que pagam bons dividendos em seu portfólio também é uma ótima estratégia”.
Para Góes, além de acompanhar o noticiário, o investidor precisa entender que o desempenho da ação será pautado pela expectativa de melhora no futuro e não de notícias passadas. “Deve-se sempre avaliar qual será o impacto de uma determinada notícia para frente”. Para quem está iniciando, recomenda. “A Bovespa disponibiliza o balanço das empresas em seu site. Um curso introdutório pode ser um primeiro passo para o entendimento dos balanços das empresas”.
Longo prazo
Períodos nebulosos como o atual fazem a alegria do investidor fundamentalista. “Se o investidor tiver uma visão de longo prazo, os movimentos de curto prazo devem ser encarados como oportunidades de venda ou de compra. Ele deve procurar sempre comprar bons ativos em períodos de queda, e vender as ações caras na alta”, recomenda Góes.
Quer exemplo maior de sucesso do que o ícone Warren Buffett? Ele construiu sua fortuna através da análise fundamentalista e já lucrou horrores com as crises ao longo do tempo. “Veja as flutuações do mercado como suas aliadas, não como suas inimigas – lucre com a insensatez em vez de participar dela. A incerteza, na verdade, é amiga do comprador de valores de longo prazo”, é o que ele recomenda.
Vantagens da análise fundamentalista
- O investidor opera mais embasado e fica menos sujeito a tomar decisões precipitadas, influenciado pela volatilidade do mercado.
- É capaz de detectar setores mais e menos beneficiados pelo ambiente econômico.
- Aponta empresas que tenham diferenciais competitivos relevantes.
- O estudo possibilita que o investidor consiga antecipar tendências.
- Faz o investidor acompanhar de perto o movimento das empresas.
- Visão de longo prazo é garantia de ganhos no futuro.
Desvantagens da análise fundamentalista
- Em certas ocasiões, como a crise atual, os preços das ações acabam oscilando muito, assustando o investidor que pauta seus investimentos para o longo prazo.
- A ilusão de descobrir pechinchas e acabar comprando ações de empresas ruins.
- É necessário muito tempo e dedicação para conseguir distinguir boas opções de grandes ilusões.
- A análise fundamentalista não serve para curto prazo. O fato de uma empresa ser boa não significa que ela vai subir no curto prazo, e o fato dela estar passando por um momento difícil não quer dizer que a empresa, ou mesmo o setor, não possuem potencial de grande valorização.
Análise técnica
Os primeiros trabalhos de análise técnica datam do início do século XX, quando os jornalistas Charles Dow e Edward D. Jones publicavam um informativo financeiro que mais tarde viria a ser o The Wall Street Journal. Ao longo dos anos, Dow apresentou suas teorias sobre o comportamento do mercado em artigos no jornal. O conjunto desses textos seria posteriormente reunido, gerando o que pode ser considerado o início da análise técnica: a Teoria de Dow.
“A teoria sugere ser possível, através dos gráficos, identificar o momento de abrir e fechar uma posição. Em resumo, ‘padrões’ que se repetem ao longo da história sinalizam se há uma probabilidade maior de alta ou queda das cotações naquele momento”, explica o engenheiro civil, pós-graduado em finanças e autor do blog Trader sem Mistérios, André Motta. Nas palavras do próprio Dow, “o que aconteceu ontem pode determinar o que acontecerá hoje, e a configuração gráfica dos preços tende a se relacionar com a direção que eles tomarão no futuro”.
Principais características da análise técnica:
- Analisa os dados gerados pelas transações como preço e volume.
- Utiliza os gráficos na busca de padrões.
- Visualiza a ação dos componentes emocionais presentes no mercado.
- Analisa as tendências e busca determinar alvos (até onde os preços irão se movimentar).
Vantagens da análise técnica
- Por se tratar de uma leitura de fluxo, o investidor pode se aproveitar melhor da volatilidade do mercado.
- Saber o que aconteceu com o ativo e o que está acontecendo, auxiliando a traçar estratégias.
- A análise técnica orienta e é necessária para que o investidor possa saber onde, como e quando aplicar.
- A análise técnica possibilita posicionar o stop loss, detectar o momento de efetuar um hedge e trabalhar em prazos mais curtos.
- Indica tendências e números importantes no curto prazo.
Desvantagens da análise técnica
- A analise técnica não olha as empresas e sim os movimentos dos investidores.
- A ilusão de adivinhar o futuro pode levar a operar certezas, o que pode terminar em grandes prejuízos.
- Ela é pouco útil quando o investidor não consegue liquidar toda a sua posição em poucas ordens ou seja, ela é menos útil a grandes investidores.
- O perfil trader de curto prazo que está embutido na Análise Técnica acaba dificultando os investimentos de longo prazo. A pessoa vê que o papel vai cair e sai, mas muitas vezes não consegue recomprá-lo. Por isso, é importante separar a carteira desejada para o longo prazo, isolando a volatilidade, da parte que quer comprar barato e vender caro, aproveitando a volatilidade.
- Perde para a análise fundamentalista quando se pensa no longo prazo.
O que fica para você
De acordo com o consultor financeiro e autor do blog chrinvestor.com, Christian Cayre, “a diferença básica entre a análise fundamentalista e a análise técnica é evidenciada no objeto de observação das duas análises. Enquanto a análise fundamentalista estuda a causa dos movimentos do mercado, a análise técnica preocupa-se unicamente com os efeitos que causam alterações na oferta e demanda dos ativos”. Em resumo, o analista fundamentalista se baseia nos conceitos e teorias da economia para determinar se o preço de uma ação está de acordo com o potencial da empresa gerar lucros no futuro. Já o analista técnico estuda o histórico do papel, para determinar, através de estatísticas, os movimentos futuros do ativo. Definir se uma é melhor que a outra vai depender do seu perfil e da sua afinidade com gráficos ou fundamentos.
Mas se você tem aversão a alguma das metodologias de análise, fique tranqüilo. “Nenhum operador consegue aprender todos os métodos analíticos, da mesma maneira como ninguém é capaz de dominar todos os campos da medicina. Nenhum médico é capaz de especializar-se em cirurgia cardíaca, obstetrícia e psiquiatria. Tampouco nenhum operador tem condições de saber tudo sobre os mercados. Você deve encontrar um nicho que mais o atraia e nele se especializar”, recomenda o doutor Alexander Elder. Ninguém melhor do que você para decidir como e onde investir.
Para saber mais:
Livro: Aprenda a investir em ações e operar na bolsa via internet
Autor: Carlos A.H. Brum
Editora: Ciência Moderna
Livro: Comprar ou vender? Como investir na bolsa utilizando análise gráfica
Autor: Eduardo Matsura
Editora: Saraiva
Livro:Aprenda a operar no mercado de ações
Autor: Alexander Elder
Editora Campus Elsevier
Livro: O investidor inteligente
Autor:Benjamin Graham
Editora: Nova Fronteira
Livro: O Tao de Warren Buffet
Autores:Mary Buffett e David Clark
Editora: Sextante
Sites:
www.dinheirama.com
www.chrinvestor.com
www.tradersemmisterios.com.br
www.nelogica.com.br
Para ler a matéria na íntegra, clique aqui.
Colaboração: João Guilherme Brotto