Da redação InvestMais – www.revistainvestmais.com.br .
A Nokia é a maior fabricante de celulares do mundo, responsável por cerca de 40% da venda de aparelhos em todo o mundo. A Apple, com o seu único aparelho, o iPhone, tem cerca de 5% de mercado. Quem o leitor acha que lucra mais? Como os leitores da InsiderNews e da InvestMais são bem antenados, sabem que a Apple tem uma lucratividade muito maior com o seu iPhone, não apenas proporcionalmente, mas também em números absolutos. Até o terceiro trimestre de 2009, a Apple tinha lucrado US$ 1,6 bilhão com a venda de 7,4 milhões de iPhones, o que dá um lucro de US$ 216 por aparelho (a conta é aproximada, pois a empresa não divulga resultados por linha de produto). Já a Nokia tinha lucrado US$ 1,1 bilhão com a venda de 108,5 milhões de celulares, ou a ridícula quantia de US$ 10,13 por aparelho.
O caso é exemplar do quanto o tamanho de uma empresa não é o mais importante na hora dos lucros, mas sim como ela é gerenciada e de que maneira ela se posiciona no mercado. Analisar como a empresa inova em seus produtos e serviços e de que maneira ela se preocupa com a geração de lucros deveria ser a primeira lição para separar o joio do trigo na bolsa de valores. Isso porque há muitas empresas procurando o seu dinheiro na bolsa, mas poucas que realmente o merecem.
Veja o caso da Petrobras e da Vale, por exemplo. A Petrobras é maior que a Vale, é a oitava empresa em valor de mercado nas Américas (incluindo os Estados Unidos), é uma multinacional presente em diversos continentes, conduzirá a exploração do pré-sal, enfim, é uma gigante. A Vale também é grande, mas ainda não chega a ser uma Petrobras. No entanto, se você analisar as empresas, verá que hoje a Vale é mais negócio que a Petrobras. Por quê? Porque a Vale é privada, procura maximizar o lucro aos seus acionistas, e tem uma visão global de como funciona o mercado. A Petrobras, infelizmente, tem sido usada com outros fins que não os de negócio. E isso quem diz é o mercado, que julga os movimentos das empresas no dia-a-dia dos pregões. Veja a valorização nos últimos 12 meses. VALE5 subiu 85,98%, VALE3 subiu 88,39%, PETR3 apenas 9,39% e PETR4 é um pouco melhor, com ganhos de 23,26%. O Ibovespa está em 63,80%.
O leitor pode dizer que queremos comparar ali banana com abacaxi. Então olhemos o setor de construção civil, que em 2009 foi uma das estrelas da bolsa. As ações que mais se valorizaram nos últimos 12 meses não foram das gigantes Cyrela (94,2%), Rossi (190%), MRV (123%) ou Gafisa (82,1%), mas sim de empresas menores e focadas em segmentos de mercado, onde atuam com excelência: Helbor (334%), João Fortes (283%), Brookfield (278,2%) e EzTec (239,6%). A diferença está em buscar um nicho de mercado e ser o melhor naquele nicho. Nem sempre querer aumentar os negócios significa aumentar a lucratividade de uma empresa. Em alguns casos, pode até ser um tiro no pé.
Claro, sempre haverá exceções à essa regra. A Hypermarcas parece estar sendo um caso de sucesso, ao tentar recriar no Brasil o modelo da Unilever e da Procter & Gamble, entre outras, de ser um guarda-chuva de muitas marcas. No entanto, a regra continua clara: empresas que procuram a excelência em um segmento de mercado tendem a ser mais lucrativas que empresas que atuam para todo o mercado, indistintamente. Essa é uma lição de posicionamento de marketing que deveria ser incorporada pelos investidores para que eles pudessem avaliar as empresas nas quais pretendem investir.
Falando em tamanho novamente, basta olhar o caso da GM americana, que mesmo sendo a maior empresa do mundo, entrou em concordata. Se você pudesse investir na Ferrari, por exemplo, você compraria ações de qual das duas (nem falemos do carro, pois aí é assunto para outro site)?
Bons Investimentos!
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