Da Redação InvestMais
A Rússia está passando por uma grave seca atualmente. Por conta disso, sua produção agrícola sofreu uma queda substancial, e o governo emitiu um decreto proibindo a exportação de produtos agrícolas por 12 meses, para garantir o abastecimento e os preços internos. Se a Rússia vai mal, a Ucrânia também deve estar sofrendo com a seca. Os dois países são importantíssimos para o fornecimento do trigo mundial, e com certeza os preços subirão. Recentemente, a Argentina também proibiu as exportações de carne para tentar segurar os preços no mercado interno e garantir o abastecimento. Tudo bem que lá metade da falta de carne devia-se à incompetência dos governos Kirchner, marido e esposa, mas a outra metade era devido à seca.
A questão é que as mudanças climáticas vieram para ficar, e há cada vez mais alterações no clima mundial que influenciam diretamente nas produções agrícolas. Recentemente, uma indústria laticínia espanhola procurava produtores de leite no Brasil para criar uma rede de captação do produto que abasteceria sua fábrica, ainda a ser construída. O motivo dado pelos espanhóis e que, de acordo com seus estudos, a Europa vai esquentar um pouco mais e os climas temperados como o que existe no Sul do Brasil ficariam mais amenos, propiciando mais safras e um custo de produção de derivados do leite menor. Esse é apenas um exemplo, mas deve haver outros por aí.
Nesse cenário, investir em commodities agrícolas pode ser um bom negócio. É um investimento mais arriscado, que exige um conhecimento muito grande do mercado, mas que, se bem executado, pode significar grandes lucros. Para se investir em commodities é necessário estar no mercado futuro. Funciona assim: o investidor vai à Bolsa Mercantil de Futuros e faz um contrato de compra ou de venda de uma commodity, soja, por exemplo. Se ele faz um contrato de compra, ele acredita que o preço do grão subirá no futuro e se compromete a pagar R$ 23,45 por saca para entrega em março de 2011. Um produtor que precisa desse dinheiro vende esse contrato de entrega de soja por esse preço. Se, no futuro, o preço da soja subir, o produtor ganha apenas R$ 23,45 e o comprador revende a soja adquirida e lucra com a diferença.
Na outra ponta, se o investidor acha que a soja vai baixar, ele se compromete a vender soja em março de 2011 pelos mesmos R$ 23,45. Uma empresa que beneficie soja pode querer já garantir a sua produção (caso tenha algum receio de mudanças no mercado) e compra esse contrato. Na época da entrega, se o preço baixar, o investidor compra sacas de soja no mercado a um preço menor e entrega à empresa, lucrando com a diferença. Basicamente é isso: a posição comprada aposta na alta da cotação e a posição vendida na baixa da cotação (e isso vale para todas as commodities, derivativos, moeda etc…). E antes que alguém ache que isso é um cassino completo, muitos agricultores usam o mercado de futuros como hedge, ou seja, é o seguro deles contra variações extremas no preço de seus produtos.
Como ganhar dinheiro então? Vimos dizendo aqui repetidamente que a principal arma do investidor é a informação e o estudo. Nesse caso específico, torna-se necessário usar duas novas informações que estão disponíveis para todos na Internet: a meteorologia e os dados agrícolas de alguns países. A Rússia, a Ucrânia e a Argentina, por exemplo, são grandes produtores de trigo. Problemas nesses países afetam a cotação do produto no mundo todo. Para a soja, é importante ver o Brasil, os EUA, a Argentina, talvez o Canadá e mais um ou outro. Para o milho são os mesmos países do trigo. Para o café, Brasil, Colômbia, Vietnã e mais um ou outro asiático. E por aí vamos. Tudo é uma questão de escolher as informações, processá-las adequadamente (e isso requer estudo e dedicação) e investir seu dinheiro.
As mudanças climáticas provocarão muitas mudanças entre um ano e outro, e o agricultor recorrerá cada vez mais ao instrumento do mercado futuro como hedge para minimizar possíveis perdas. Haverá mais oportunidades de investimento disponíveis. No entanto, seria temerário dizer que é lucro certo, pois o clima anda muito arisco e ninguém ainda encontrou a fórmula que garante previsões certeiras do tempo. Os computadores e os modelos matemáticos utilizados são cada vez mais precisos, mas a Mãe Natureza ainda tem seu caráter de imprevisibilidade.
Porém, se o investidor quiser alocar um pouco de seus recursos nesse mercado (e não é preciso muito para começar, a BM&FBovespa negocia mini contratos de algumas commodities para tentar popularizar esse segmento) usando com sabedoria as informações já disponíveis, ele pode ter gratas surpresas com o seu dinheiro.
Bom Feriado, e Bons Investimentos!
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