As ações do Banco do Brasil caíam cerca de 6% por volta das 14 horas de hoje, a maior baixa entre as empresas que fazem parte do Índice Bovespa. O motivo é a demissão do presidente do BB, Antônio Francisco de Lima Neto. O problema não é a saída dele - presidentes de empresas são substituídos e nem sempre as ações caem por isso (dependendo do executivo, aliás, os papéis até sobem). A questão, no caso do BB, é que a demissão de Lima Neto pode indicar uma forte ingerência do governo na instituição. Isso é uma péssima notícia para os investidores porque gera incerteza sobre o que é mais importante para o BB: os interesses do governo ou os negócios do banco.
O medo da mão pesada do governo é o que faz as ações de bancos e empresas estatais serem negociadas com desconto na bolsa, quando comparadas às suas concorrentes no setor privado. Esse desconto costuma variar de 10% a 20%, dependendo da companhia. Isso não ocorre apenas com o BB, mas com Petrobras, Copel, Sabesp e outras.
Um bom exemplo de como o medo da influência do governo pode prejudicar o desempenho de uma companhia na bolsa ocorreu em 2007, com a Nossa Caixa. As ações caíram depois de o banco ter comprado a folha de pagamentos dos funcionários do estado de São Paulo por um preço considerado alto demais (leia os detalhes).
Do Portal Exame por Giuliana Napolitano.