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Sábado, 4 de Fevereiro de 2012
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23/04 09:55 | Enviado por InvestMais

A importância da regulamentação do setor financeiro americano

Da redação InvestMais – www.revistainvestmais.com.br .

O dia de ontem era uma catástrofe para todos os mercados mundiais, com a Bovespa enfrentando perdas ao redor dos 1,3%, isso depois de já ter sofrido um monte (nesse ponto, os gráficos não mentem: janeiro foi ruim, fevereiro foi mediano, março ótimo e abril, até o momento, ruim). Mas daí o presidente Barack Obama fez um discurso defendendo a regulamentação do setor financeiro, e as bolsas voltaram a subir. O que pode haver de tão importante na regulamentação do sistema que afeta o mundo todo dessa maneira?

Vamos pegar como exemplo o SFN (Sistema Financeiro Nacional), controlado pelo nosso Banco Central, e sua história desde 1995. Naquele ano foi criado o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Sistema Financeiro Nacional (Proer), que tinha como objetivo sanar o SFN de seus ativos podres e colocar um controle sobre todo o sistema. À época, a oposição (hoje no governo) ralhou o que pode, dizendo que era dinheiro público jogado fora, que o Brasil tinha que construir escolas, saúde, transporte etc. Não tirando a importância da construção dessa infraestrutura, foi só na crise de 2008 que se pode ver a profunda importância que todo o trabalho iniciado em 1995teve na prevenção de consequências catastróficas.

Graças à fiscalização do BC, os bancos brasileiros estão muito pouco expostos a ativos tóxicos. Também é limitada a capacidade dos bancos de montarem produtos baseados em créditos duvidosos, como os subprime americanos. Como todo o sistema está integrado, o BC pode verificar a liquidez de cada banco instantaneamente. Movimentações acima de cinco mil são comunicadas instantaneamente ao BC (exceto quando você é chefe do diretor do banco, como foi o caso do governador Joaquim Roriz em Brasília com o BRB, mas isso é assunto para a coluna política). Aplicações com o caixa disponível feitas pela tesouraria do banco são muito limitadas e altamente vigiadas. O resultado disso e de outras medidas é que os bancos brasileiros estão entre os mais sólidos do mundo. Seus balanços são confiáveis, e comprar ações deles (principalmente dos grandes bancos) é um investimento relativamente seguro. E, em um momento em que os bancos foram os principais culpados pela crise mundial, os brasileiros se saíram muito bem.

Já nos Estados Unidos, não havia praticamente fiscalização. E quando permitiram que os bancos de investimento pudessem também ter operações de varejo, misturando o dinheiro que era do banco com o de seus clientes (as operações de tesouraria) sem o devido acompanhamento, embolou o meio de campo. Quando a crise do subprime explodiu, viu-se que os bancos haviam usado o dinheiro de seus clientes em operações para gerar lucro para si próprios, a sua grande maioria sem o mínimo critério. Até agora os bancos estão tentando recuperar a sua imagem, já que a recuperação da economia permitiu que eles devolvessem quase todo o dinheiro emprestado para não quebrarem.

Logo, o investidor que pensa no mercado como um todo deveria apoiar qualquer política de fiscalização sobre o sistema financeiro. Bancos saudáveis podem não significar necessariamente uma economia saudável, como foi o caso do Brasil, em que a indústria precisou de apoio do governo para poder suportar a crise. Mas bancos ruins prejudicam todos os setores da economia. E quando tudo vai mal, a bolsa também vai. A regulamentação do sistema financeiro americano, se bem executada, servirá de paradigma para outras grandes economias, e a sua adoção poderá significar uma nova era de relações mais transparentes entre os bancos e o mercado, colaborando para manter as crises ao largo.

Bons Investimentos!

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