SÃO PAULO - Com expectativas de que uma recessão tão difícil quanto aquelas dos anos 1980 e 1990 atinja os países desenvolvidos e pressione as economias periféricas, a agência de classificação de risco Fitch Ratings revisou as notas de alguns mercados emergentes, indicando ainda uma pressão de preços mais baixos das commodities e fluxos de capital reduzidos.
A revisão dos ratings soberanos terminou com o corte das notas de IDR (Issuer Default Ratings) de longo prazo em moeda estrangeira de Bulgária, de “BBB” para “BBB-”, Cazaquistão, de “BBB” para “BBB-”, Hungria, de “BBB+” para “BBB” e Romênia, de “BBB” para “BB+”. Enquanto as perspectivas para os ratings da Bulgária e da Hungria são estáveis, para o Cazaquistão e Romênia, as perspectivas são negativas.
Essa mesma ação de rating também levou à alteração das perspectivas para África do Sul, Coréia, México e Rússia de estáveis para negativas. Já os ratings do Chile e da Malásia tiveram as perspectivas reduzidas de positivas para estáveis.
Segundo relatório da Fitch, os mercados emergentes da Europa são os mais vulneráveis à deterioração do ambiente econômico e financeiro global, devido aos altos déficits em conta corrente e dívida externa. “A profunda mudança na perspectiva financeira e econômica mundial traz desafios significativos para a política monetária e economia real de mercados emergentes”, afirmou David Riley, diretor do Fitch’s Global Sovereign Ratings Group.
Ratings confirmados
Para os países da América Latina, a crise financeira internacional representa uma pressão considerável. “Recessão global, preços das commodities em queda e condições mais apertadas de liquidez externa devem afetar todos os países que possuem o grau de investimento, em graus variáveis”, alerta Shelly Shetty, diretora sênior do grupo de ratings soberanos da Fitch.
Entretanto, para a agência, a forte liquidez externa do Brasil e as baixas necessidades de financiamento externo do Peru fornecem proteção suficiente para a manutenção do rating atual, com perspectiva estável. Cabe lembrar que, simultaneamente aos cortes, a Fitch reafirmou as notas de sete países: China, Taiwan, Tailândia, Índia, Polônia, além de Brasil e Peru.
Fonte: InfoMoney